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| Mapa
da Alemanha |
A Alemanha é uma república federal localizada na
Europa Central. Limita-se ao norte com o mar do Norte, a Dinamarca
e o mar Báltico; ao leste com a Polónia e a República
Checa; ao sul com a Áustria e a Suíça, e ao
oeste com a França, Luxemburgo, Bélgica e Holanda.
É conhecida oficialmente como República Federal Alemã
(RFA). Berlim é a capital e a cidade mais importante. Outras
cidades importantes são Hamburgo, Munique, Colónia,
Frankfurt e Essen. O alemão é o idioma oficial e existem
vários dialectos regionais.
Possui três grandes regiões geofísicas: as
terras baixas que conformam a planície do norte, com numerosos
vales fluviais; a região das mesetas centrais que abrange
um território de suaves montanhas, vales fluviais, rios e
vales bem definidos; e as cadeias montanhosas que incluem as cordilheiras
Eifel e Hunsrück, Taunus, Spessart e Fichtelgebirge. Os contrafortes
do Jura e um grande bosque, a Floresta Negra, estão no sudoeste.
No extremo sul estão os Alpes bávaros.
A maioria dos grandes rios alemães estão na região
ocidental. O mais importante é o Reno e seus afluentes, Neckar
e Ruhr. Outros rios importantes são Elba, Danúbio,
Oder e Neisse. Dos poucos grandes lagos destaca-se o Constança.
A população da Alemanha é de 82,4 milhões
de habitantes, com uma densidade de 226 hab/km2, e está distribuída
por 16 estados (Land): Baden-Wuerttemberg, Baviera, Berlim, Brandenburg,
Bremen, Hamburg, Hessen, Mecklenburg-Vorpommern, Niedersachsen,
Renânia do Norte - Vestefália, Rheinland-Pfalz, Saarland,
Sachsen, Sachsen-Anhalt, Schleswig-Holstein e Turíngia.
Durante a idade da pedra, os bosques alemães estavam povoados
por grupos de caçadores e colectores. Constituíam
as formas primitivas do Homo sapiens, (Homem de Heidelberg que viveu
há 400.000 anos). Aproximadamente em 2300 a.C. chegaram novas
hordas de povos indo-europeus, antepassados dos germanos, que se
instalaram no norte e no centro da Alemanha, os povos bálticos
e os eslavos no leste e os celtas no sul e no oeste. De 1800 a 400
a.C., os povos celtas do sul da Alemanha e da Áustria desenvolveram
progressos no trabalho com o metal, configurando várias culturas
campos de urnas, Hallstatt e La Tène que se
difundiram pela Europa. Entre os séculos II a.C. e V d.C.
as tribos germânicas e celtas estiveram em contacto com os
romanos que controlavam o sul e o oeste da Europa e tentaram sem
êxito estender o seu domínio até o rio Elba.
A fronteira manteve-se nos rios Reno e Danúbio, onde erigiram
os limes (linha de fortificações). Nos séculos
IV e V os hunos assolaram o território a partir da Ásia
e os ostrogodos, visigodos, vândalos, francos, lombardos e
outras tribos germânicas invadiram o Império romano.
No final do século V, o chefe dos francos, Clodoveu I, derrotou
os romanos e estabeleceu um reino que englobava a maior parte da
Galia e o sudeste da Alemanha. Seu trabalho continuou no século
VIII por Carlos Magno, que anexou o sul da Alemanha e submeteu os
saxões. O Império carolíngio não sobreviveu
e depois da morte de Carlos Magno foi dividido entre seus três
netos (Tratado de Verdun de 843). Conrado II, o Sálico foi
o primeiro rei indiscutível da Alemanha.
Nos séculos XII e XIII a Alemanha e a Itália estiveram
imersas na rivalidade existente entre duas famílias principescas:
os Hohenstaufen da Suabia, denominados gibelinos na Itália,
e os Welfs da Baviera e da Saxónia, conhecidos como guelfos
na Itália. Frederico I Barba-Roxa assumiu o título
de imperador do Sacro Império Romano. Unificou a Alemanha
e a Borgonha, declarou uma paz imperial e submeteu os guelfos. No
final do século XIII, o Império havia perdido a Polónia,
a Hungria e o controle efectivo da Borgonha e da Itália.
Dentro de suas fronteiras, os principados eram praticamente autónomos.
Nas cidades o comércio teve um grande desenvolvimento. As
cidades do Reno e, mais tarde, as cidades alemães do norte
formaram associações comerciais; a mais poderosa foi
a Liga Hanseática. No final da Idade Média, a grande
estirpe de duques foram extintas e criaram-se novos principados.
Três casas reais Habsburgo, Wittelsbach e Luxemburgo
lutaram pelos direitos. Com Alberto V, o Ilustre, a coroa
imperial tornou-se hereditária da casa dos Habsburgo. Seu
sucessor, Frederico III da Estiria, perdeu a Hungria e a Boémia,
e vendeu Luxemburgo para a França, enquanto lutava contra
os príncipes alemães e os turcos alcançavam
as fronteiras do Império.
Na dinastia Habsburg, Maximiliano I desenvolveu uma política
matrimonial em benefício de sua família. Mediante
o matrimónio de seu filho, Felipe I o Belo, com a herdeira
da Espanha, Joana I a Louca, Maximiliano assentou as bases para
a futura união das coroas de Castela e Aragão com
o Império. Em 1519, Carlos I da Espanha e V da Alemanha sucedeu
a seu avô Maximiliano como imperador do Sacro Império
Romano. Dedicou sua vida a preservar um império medieval
unido na fé, um esforço infrutífero na sociedade
plural criada pelos reformadores e as forças seculares. Os
protestantes estavam divididos apesar da predominância dos
luteranos. Pela Paz de Augsburgo (1555), ficou reconhecido o luteranismo,
mas não ocorreu o mesmo com os calvinistas. Carlos abdicou
em 1556 e o seu vasto Império dividiu-se: as possessões
espanholas e borgonhesas passaram a seu filho Felipe II, enquanto
que o título imperial e as possessões imperiais foram
para seu irmão Fernando I de Habsburgo.
Politicamente o Sacro Império Romano Germânico (ou
I Reich) continuou com tal denominação, mas havia
perdido todas as pretensões à universalidade e a um
governo centralizado. No final do século XVII e início
do XVIII, o Império estava eclipsado pela França e
pela Inglaterra. A estrutura imperial dependia de grande quantidade
de príncipes menores; os Wettins da Saxónia, os Welfs
de Brunswick-Luneburgo converteram-se em eleitores de Hannover,
os Wittelsbachs da Baviera, os Habsburgo da Áustria e os
Hohenzollern de Brandeburgo eram as famílias hegemónicas
no Império e dominavam os outros príncipes. Fora do
Império, a área mais importante era a Prússia,
que se converteu num reino independente em 1701.
Não era possível, no século XVIII, estabelecer-se
com certeza as fronteiras da Alemanha. A Prússia propriamente
dita estava fora do Império; a Pomerânia era sueca,
o Oldenburg, dinamarquês; o eleitor de Hannover era o rei
da Inglaterra, o landgrave do Hessen era o rei da Suécia,
o duque de Holstein era o czar da Rússia. A fragmentação
chegara ao ponto de existirem 1500 soberanos, havendo cerca de 80
territórios com dimensões inferiores a 12 milhas quadradas.
Esse conglomerado distribuía-se em 10 círculos (Kreise),
numa organização que não funcionava, e o número
de eleitorados passara a 9, com o acréscimo da Baviera e
do Hannover. Típica do período foi a mania de grandeza
e a dissipação das cortes principescas, caracterizadas
pelo próprio Frederico II, em seu Anti-Machiavel, da seguinte
forma: "mesmo o mais jovem filho de uma linhagem com apanágio
imagina ter semelhanças com Luís XIV: constrói
um Versalhes, tem amantes e mantém um exército".
A isso, é verdade, foram devidos à arquitectura, não
poucos importantes monumentos do Barroco alemão.
Querelas inimagináveis desenvolviam-se entre os príncipes,
enquanto as condições dos súbditos eram quase
sempre difíceis e o prestígio internacional da Alemanha
reduzia-se cada vez mais. Esse é o ambiente no qual se verifica
a elevação da Prússia ao nível de grande
potência, com Frederico II. Frederico II o Grande dedicou
a maior parte de sua vida a estender o território da Prússia
para a Áustria e a Polónia.
O imperador Carlos VI, ansioso em manter unificados os domínios
dos Habsburgo, promulgou a Sanção Pragmática
em 1713, declarando que sua filha Maria Teresa I da Áustria
lhe sucederia. No ano de 1740, morreu o Imperador Carlos VI, extinguindo-se
a linha masculina directa dos Habsburgos. Carlos VI, porém,
pela Pragmática Sanção, conseguiu fazer com
que as terras austríacas fossem transmitidas à sua
filha, Maria Teresa. Os eleitores da Baviera e da Saxónia
rechaçaram a Sanção Pragmática. Apesar
de todas as precauções, a Baviera, que não
reconhecera aquele documento, protestou, surgindo daí o ponto
de partida para a Guerra da Sucessão da Áustria, em
cujo âmbito se incluem as duas primeiras guerras da Silésia.
Baviera e França aliaram-se ao novo rei da Prússia,
Frederico II, e este, em rápida campanha, conquistou a Silésia,
enquanto seus aliados franco-bávaros invadiam a Boémia
e ocupavam Praga, com o apoio da Saxónia. Em 1742, Maria
Teresa faz a paz de Breslau com a Prússia, renunciando à
Silésia e continuando a luta com seus outros inimigos, já
aliados à Inglaterra. Em 1743, Frederico renovou sua aliança
com a França, para consolidar o domínio sobre a Silésia,
com as vitórias de Hohenfriedberg, Kesseldorf e Söor,
que levaram à conclusão da Paz de Dresden, em 1745.
No mesmo ano, os bávaros, pelo Tratado de Füssen, reconheceram
como Imperador o marido de Maria Teresa, Francisco I da Lorena.
O mesmo já fizera Frederico II, em Dresden. A guerra continuou
- Áustria e Inglaterra contra França e Espanha - só
se encerrando pela Paz de Aachen (1748).
O surgimento da Prússia como uma grande potência levou
a uma mudança de alianças e a novas hostilidades.
A intenção de Maria Teresa de reconquistar a Silésia
deu lugar a uma série de alianças que conduziriam
à guerra dos Sete Anos (1756-1763). Maria Teresa aliou-se
então, à França e a Rússia, com a adesão
da Suécia e da Saxónia, contra Frederico II, que buscou
a aliança inglesa. E teve início, em 1756, a Guerra
dos Sete Anos. Frederico avançou sobre a Saxónia,
forçando-a à Capitulação de Pirna. Contra
os franceses, em 1757, venceu a batalha de Rossbach, batendo os
austríacos em Praga e Leuthen, e os russos em Zorndorf. Para
o general austríaco Daun, todavia, perdeu os encontros de
Kollin e Hochkirch, sendo vencido, ainda, pelos austro-russos, na
importante batalha de Kunersdorf. Forçada à defensiva,
a Prússia parecia em situação desesperada.
Foi quando se deu o que o próprio Frederico chamou de "o
milagre da Casa de Brandenburgo": hesitações
e divergências entre os adversários impediram que fossem
tiradas vantagens da derrota prussiana, até que, em 1762,
o advento do czar Pedro III, na Rússia, admirador de Frederico,
determinou a reviravolta da posição russa, à
qual se seguia a paz com a Suécia. Os êxitos sobre
os austríacos, em Bunkersdorf e Freiburg, levaram Maria Teresa
à Paz de Hubertsburg (1763), confirmando as cláusulas
de Breslau e Dresden. Em 1772, sem guerra, obteve a Prússia
substancial aumento de território, com a 1ª partilha
da Polónia: desta vez fazia-se a ligação por
terra do Brandenburgo com a Prússia propriamente dita. Surgia
assim, no norte, uma potência protestante, oposta à
Áustria católica ao sul. A rivalidade, como se verificou
quando Frederico, por duas vezes (1778-79 e 1785), salvou a Baviera
dos apetites territoriais do filho de Maria Teresa, José
II.
Relevante foi a obra interna de Frederico: seus pensamentos filosóficos
não o afastaram do plano concreto: proclamou a liberdade
religiosa, promoveu também verdadeira obra de colonização,
abrindo uma rede de canais e estradas, estimulando a agricultura,
para a qual conquistou novas terras. Admirador dos iluministas,
foi um representante do despotismo esclarecido, que considerava
o monarca o primeiro servidor do Estado. Preocupado com a administração
da Justiça, criou uma camada de juízes de alta categoria,
invulneráveis à corrupção, tão
comum na época. A codificação do direito administrativo,
civil e penal, que encontrou sua expressão no Allgemeine
Landrecht für die preussischen Staten (Compilação
do Direito para os Estados Prussianos), deve-se à sua iniciativa,
notando-se seu empenho na distribuição de justiça
rápida, sólida e barata para todos, sem distinções
sociais.
Tal atitude, quando mais não fosse, teria justificado que
um filósofo como Kant o tivesse chamado, em 1784, de Frederico
II, o Grande. Não teve, porém, compreensão
para o desenvolvimento cultural alemão propriamente dito.
Suas numerosas obras e cartas foram escritas em francês, inclusive
um trabalho dedicado à crítica da literatura alemã
contemporânea. Esse espírito era mais europeu do que
nacional-alemão, embora, em seu tempo, já Goethe e
Schiller fossem bastante conhecidos, destacando-se ainda nomes como
Lessing e Herder. Note-se, de passagem, sua simpatia para com os
americanos rebelados contra a Inglaterra, cujas forças, aliás,
foram em grande parte organizadas por um dos mais capazes instrutores
do próprio exército: W. von Steuben. À época
de sua morte, em 1786, era a Prússia uma grande potência
europeia, rompido o quadro deixado na Alemanha pelos Tratados da
Vestfália.
Logo depois deveria verificar-se o fim do Sacro Império.
A primeira guerra da França revolucionária foi declarada
à Áustria, em 1792, mas esta estava aliada à
Prússia, então sob o reinado de Frederico Guilherme
II (1786 - 1797). Em Valmy, os prussianos recuaram diante dos franceses,
os austríacos foram batidos em Jemappes, a margem esquerda
do Reno, até 1793, estava ocupada pelos revolucionários.
Pela Paz de Basileia (1795), a Prússia reconhecia a posse
desses territórios pela França. Em compensação,
entretanto, expandia-se para o Oriente, com as anexações
resultantes da 2ª e 3ª partilhas da Polónia (1793
e 95). Iniciara-se, assim, uma fase de crucial importância
para a Alemanha. As lutas da França contra a Áustria
continuaram na Itália e na Alemanha do sul, até a
Paz de Campoformio (1797), quando os austríacos confirmaram
a anexação da margem esquerda do Reno à França.
Em 1803 houve a reorganização da Alemanha, segundo
as determinações do Tratado de Lunéville, através
do Reichsdeputationshauptabschluss, ou encerramento definitivo da
Dieta do Reich. Franceses e russos, nos bastidores, praticamente
deram as linhas mestras da nova Alemanha, em que, com poucas excepções,
se aboliam os princípios eclesiásticos; reduziam-se
de 48 para 6 as cidades livres; criavam-se mais 4 eleitorados (Salzburg,
Baden, Württenberg e Hessen-Kassel), dos quais 3 protestantes,
o que era o fim da hegemonia austro-católica, e favoreciam-se
territorialmente a Prússia e os Estados medianos do Ocidente.
No mesmo ano de 1803, os franceses ocuparam Hannover. Em 1804, foi
o próprio título de imperador que Napoleão
chamou para si, fazendo com que, em 1806, o então imperador
Francisco II declarasse dissolvido o Sacro Império. Mantinha
ele, entretanto, o título de Imperador da Áustria.
Ainda em 1806, a tentativa prussiana de vencer Napoleão marcou-se
pelas derrotas de Iena e Auerstadt e a ocupação de
Berlim pelos russos. A Prússia foi salva da dissolução
graças à intercessão do Czar Alexandre II,
o qual, depois de vencido, fizera a paz com Napoleão em Tilsit.
De 1806 a 1812 foi completo o domínio francês sobre
a Alemanha. A Confederação do Reno reunia os Estados
alemães com excepção da Áustria e da
Prússia sob o protectorado francês. A Prússia
perdera todos os seus territórios a oeste do Elba, bem como
parte das antigas terras polacas. A Áustria, mais uma vez
vencida, em 1809, fora forçada à aliança com
a França. Tropas francesas aquartelavam-se por toda a parte,
o Código Napoleónico vigorava em diversos Estados
e a própria esperança de reformas inspirava-se, de
uma ou de outra forma, nos franceses, nos propagadores dos ideais
revolucionários. Nessa situação é que
se desenvolve o espírito nacional, estimulados pela necessidade
de expulsar os invasores. Na Prússia, surgiram personalidades
decididas a preparar o resurgimento, como Karl von und zum Stein.
Animado por profundo sentimento alemão superior aos particularismos,
Stein como ministro de Frederico Guilherme III, empenhou-se em reformas
inspiradas nos ideais revolucionários, entre outras a supressão
dos obstáculos ao comércio e ao exercício das
profissões, a libertação dos camponeses, a
organização de um ministério com ministros
especializados em seus sectores, a ordem nas finanças, em
suma, a reorganização da Prússia.
A Universidade de Berlim, fundada em 1810, proporcionava à
Alemanha os meios de atingir a maioridade. Enquanto isso, Napoleão
incorporava ao Império Francês as cidades hanseáticas,
chegando ao Báltico. Em 1812, porém, a Campanha de
Napoleão na Rússia, na qual os alemães (inclusive
a Prússia) foram forçados a colaborar com a França,
resultou no malogro que criou as condições propícias
à libertação. Em 1813, a Prússia aliou-se
à Rússia, iniciando-se as chamadas "guerras de
libertação" da Alemanha; a elas aderiu a Áustria,
acelerando-se a tendência à defecção
dos outros Estados. Teve lugar a batalha de Leipzig, com vitória
dos aliados; depois disso, dissolveu-se a Confederação
do Reno. A 31 de março de 1814, os aliados entravam em Paris,
com o Marechal Blücher à frente dos prussianos. Retornou
ele a essa cidade, depois de juntamente com os ingleses, haver batido
definitivamente Napoleão em Waterloo (18 de junho de 1815).
No Congresso de Viena (1814-1815) os Estados vencedores de Napoleão
redesenharam o mapa da Europa. O Sacro Império Romano Germânico,
com mais de 240 estados, foi substituído pela Confederação
Germânica, sob a chefia da Áustria contando 35 Estados
e 4 cidades livres representados na Dieta de Frankfurt. Destacavam-se
aí os reinos da Prússia, Saxónia, Hannover,
Baviera e Württenberg. Tanto a Prússia como a Áustria
continuavam a ter parte de suas terras fora da Confederação,
mas, por outro lado, soberanos estrangeiros, como o rei da Inglaterra
(por Hannover), da Dinamarca (pelo Holstein e Lauenburg) e da Holanda
(pelo Luxemburgo), estavam dentro dela. O órgão máximo
era o Bundestag, assembleia dos representantes dos diversos Estados,
com sede na cidade livre de Frankfurt. Muitos alemães queriam
estabelecer um governo liberal de acordo com uma Constituição
que garantisse a representação popular e outras medidas.
Também tinham esperanças na unificação
nacional. Os soberanos da Prússia e da Áustria e os
recentemente coroados reis da Baviera, Hannover, Württemberg
e Saxónia, temerosos de qualquer usurpação
de sua soberania, opuseram-se ao liberalismo e ao nacionalismo.
Áustria, Prússia, Rússia e Grã-Bretanha
formaram a Quádrupla Aliança para suprimir qualquer
ameaça aos acordos com Viena.
Chegou-se, em 1834, ao Zollverein (união alfandegária),
chefiado pela Prússia e congregando 18 Estados, num total
de 23 milhões de habitantes. Um de seus mais importantes
promotores fora F. List, entusiasta também da construção
de ferrovias, com as quais objectivava ligar toda a Alemanha. A
1ª delas, de Leipzig a Dresden, inaugurou-se em 1839.
Prússia e Áustria fizeram planos divergentes para
a futura unificação alemã. Na Prússia,
o rei Guilherme I, junto do seu primeiro-ministro, Otto von Bismarck,
decidiram fazer da Prússia um poderoso Estado. Depois da
Guerra Áustro-prussiana, a Áustria cedeu Veneza para
a Itália, e à Prússia foi anexada Schleswig-Holstein,
Hannover e outros estados, e organizou a Confederação
da Alemanha do Norte (1867) sem a Áustria. Bismarck culminou
sua estratégia com a Guerra Franco-prussiana, depois da qual,
em 1871, Guilherme foi proclamado imperador do Império Alemão
(o II Reich). Uma vez unificados os diversos Estados alemães
sob o Império dirigido pela Prússia, Bismarck fez
uma série de alianças para proteger a Alemanha de
qualquer agressão exterior. No interior fomentou a Revolução
Industrial. Bismarck considerou que a Igreja católica ameaçava
a supremacia do Estado alemão. Iniciou assim a Kulturkampf
(luta cultural) durante a qual suprimiu muitas ordens religiosas.
O Império não funcionava de forma democrática.
Bismarck dirigiu uma perseguição ao Partido Socialista,
precursor do Partido Social-democrata alemão e preparava
suprimir a Constituição. Entretanto, o novo imperador
Guilherme II da Prússia destituiu-o, por querer governar
o Império de forma pessoal. Guilherme II manteve a Tríplice
Aliança (1882) da Alemanha, Áustria e Itália.
Para equilibrar a situação, a Rússia concordou
com uma aliança em 1894 com a França. A Grã-Bretanha,
durante muito tempo neutra, clarificou suas diferenças coloniais
com a França e com a Rússia, o que teve como resultado
a formação do Tríplice Acordo. Desta forma,
a Europa dividiu-se em dois blocos armados.
A crise de Marrocos e dos Balcãs intensificaram os antagonismos.
Guilherme II interveio duas vezes em Marrocos (1905, 1911), pretendido
pela França, para proteger os interesses alemães na
África. À Áustria foi anexada em 1908 as províncias
turcas da Bósnia e Herzegovina. O assassinato do arquiduque
austríaco Francisco Fernando de Habsburgo em Sarajevo, em
junho de 1914, foi a faísca que iniciou a I Guerra Mundial.
As tropas alemães invadiram e avançaram pela neutra
Bélgica com a intenção de tomar Paris de surpresa,
mas os alemães encontraram mais resistência na Bélgica
do que esperavam, apesar de quase chegaram a Paris. Entretanto,
os britânicos e os franceses travaram o avanço alemão
na batalha de Marne. Enquanto os russos atacaram o leste, mergulhando
a Alemanha na temida guerra de duas frentes.
Os alemães derrotaram várias vezes os russos. Os
aliados bloquearam a Alemanha para impossibilitar o fornecimento
de alimentos e matérias-primas, contando com o apoio dos
Estados Unidos que entrou na guerra em 1917. A Rússia pediu
a paz, que foi assinada em 1918. Os alemães lançaram
uma ofensiva final no oeste, mas os aliados resistiram. O chanceler
demitiu-se e anunciou que Guilherme II abdicou. O dirigente do Partido
Social-democrata Friedrich Ebert proclamou a República. A
Alemanha teve que enfrentar os duros termos do Tratado de Versalhes
em 1919: perdeu a Alsácia e Lorena a favor da França,
e a Prússia Ocidental passou para a Polónia. Também
perdeu suas colónias e teve que ceder suas instalações
siderúrgicas, linhas ferroviárias e barcos comerciais,
assim como sua força naval. Além disso, tiveram que
aceitar a plena responsabilidade como causadores da guerra e pagar
as indemnizações.
No meio da depressão económica, as eleições
de 1932 fizeram com que o Partido Nacional-socialista (nazista)
fosse o de maior representação no Reichstag. Em 1933,
com o apoio de elementos de extrema direita, Hitler foi eleito chanceler.
O novo Parlamento aprovou a Lei de Poderes Especiais permitindo
a Hitler controlar todos os aspectos da vida alemã e criar
o III Reich. Todos os partidos políticos, excepto o Nacional-socialista
foram considerados ilegais. O III Reich procurou ser economicamente
auto-suficiente. O sistema propagandístico contou com o apoio
da GESTAPO. Os judeus sofreram com as leis discriminatórias,
sendo privados da cidadania e excluídos das actividades civis
e profissionais, e depois da denominada Noite dos cristais quebrados,
centenas de milhares de judeus fugiram do país.
As ocupações da França, da Bélgica,
dos Países Baixos, da Noruega, da Dinamarca, da Jugoslávia
e da Grécia fizeram com que milhões de judeus ficassem
sob o domínio nazista. Ainda houve colaboradores nos territórios
ocupados que ajudavam aos nazistas, a resistência a sua política
foi importante. Até o final da guerra, os judeus mortos chegaram
a cerca de seis milhões no que ficou conhecido como o Holocausto.
Os desejos da Alemanha de procurar uma revisão do Tratado
de Versalhes pela força tornaram inúteis os esforços
realizados pelos os outros países que queriam evitar o confronto
militar, o que conduziu à II Guerra Mundial. Em 1942, a Grã-Bretanha
porém resistia e os Estados Unidos havia entrado na guerra
depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Em 1943, a ofensiva
soviética conduziu gradualmente as tropas alemães
para o oeste. As forças do Eixo na África do Norte
foram derrotadas e a Itália foi invadida. A Alemanha, a partir
de 1942, começou a ser bombardeada de forma intensiva, mas
Hitler recusou render-se. As forças britânicas e americanas
desembarcaram na Normandia em 1944 e avançaram para a fronteira
alemã, enquanto os soviéticos faziam o mesmo na frente
oriental. Hitler suicidou-se antes dos tanques soviéticos
entrarem em Berlim em 1945.
A rendição incondicional da Alemanha pôs fim
ao III Reich. Os aliados reduziram a Alemanha às suas fronteiras
anteriores ao início da contenda e ainda destinaram uma parte
de seu território oriental a Polónia como forma de
compensar as terras ocupadas pela União Soviética
até o Oder. A Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação,
mas como a política dos aliados divergiam, a Alemanha praticamente
foi dividida em duas partes. Em 1948, Grã-Bretanha, Estados
Unidos e França uniram suas zonas de ocupação
e encorajaram aos alemães a formar um governo democrático.
A URSS, por sua vez, criou outro Estado. Em 1949 foram formados
dois Estados alemães: a República Federal Alemã,
ou Alemanha Ocidental e a República Democrática Alemã
ou Alemanha Oriental.
O governo da Alemanha Oriental caiu em 1989. Com a derrocada do
muro de Berlim e outras barreiras migratórias mais de 200.000
alemães orientais entraram na Alemanha Ocidental. As Alemanhas
realizaram a união económica e monetária em
Julho de 1990, e em outubro foi dissolvida a República Democrática
Alemã: todos seus cidadãos se converteram em súbditos
da República Federal Alemã. A coalizão dirigida
por Helmut Kohl conseguiu a vitória nas eleições
de 1990. Com a dissolução da antiga URSS e a evolução
política europeia, os Estados Unidos começaram a reduzir
suas forças militares na Alemanha.
Apesar da grande destruição sofrida durante a II
Guerra Mundial, a Alemanha ressurgiu na década de 1960. A
reunificação foi um golpe muito duro; a Alemanha Ocidental
tem suportado as custas das melhorias na infra-estrutura, no meio
ambiente e na indústria da parte oriental, embora muitas
empresas do Leste tenham falido, a Alemanha continua a ser uma potência
na economia mundial devido à forte competência da Alemanha
Ocidental.
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