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A Valónia é uma das três regiões federais
da Bélgica juntamente com a Flandres e a capital-Bruxelas.
A região tem 16.844 km2 e uma população de
3,36 milhões de habitantes. A Valónia foi desde a
Idade Média uma região sujeita ao domínio dos
senhores aristocratas de França e à resistência
dos Condes da Flandres que sempre lutaram pela autonomia. A partir
de 1384 a actual região da Valónia ficou finalmente
sob a administração dos Duques de Burgundy, que fizeram
uma aliança com Inglaterra contra os franceses. Este foi
um período próspero caracterizado pela riqueza económica
e cultural das cidades sob administração central de
Bruxelas. No século XVI com a ascendência do fundamentalismo
católico contra o protestantismo emergente, após algumas
batalhas a Espanha tomou conta do território que passou a
chamar-se Países Baixos Espanhóis, apesar da maior
resistência do norte da Bélgica. A partir de 1702 ocorreu
a guerra provocada pela sucessão do trono espanhol entre
França e os exércitos da Holanda, Inglaterra e Áustria,
que a França de Louis XIV perdeu e pelo Tratado de Utrecht,
o actual território da Valónia ficou também
sob domínio dos Habsburg da Áustria. Após a
Revolução Francesa em 1795, a França "libertou"
a Bélgica mas ficou a governá-la até 1815 com
a queda de Napoleão. Nesta altura, a Europa do Congresso
de Viena atribui a Bélgica ao Rei da Holanda, mas em 1830
a revolta começou em Bruxelas e alastrou. Em 1831 a Bélgica
era finalmente uma nação independente. A estabilidade
originou a prosperidade económica e cultural da Valónia
no seio da nação belga que só foi sacudida
pelas trágicas guerras mundiais do século XX. Na década
de 1980, a Bélgica deu total autonomia às regiões
federais, pelo que a Valónia tem um governo autónomo
localizado em Namur. Apesar de a Bélgica ter 3 línguas
oficiais, a Valónia é predominantemente francófona.
No presente, a região tem uma forte implantação
de indústria pesada contribuindo assim para o forte desenvolvimento
na Bélgica no domínio da metalurgia e química.
Mons é a capital da província de Hainault (1,28 milhões
de habitantes) e tem 91.000 habitantes. Mons foi estabelecida no
século VII junto ao Mosteiro fundado por St. Waudru numa
das 5 colinas do vale do Rio Haine. A cidade foi crescendo pelas
colinas abaixo e várias muralhas da cidade foram erigidas,
mantendo o núcleo medieval bem preservado durante as várias
ocupações estrangeiras. A Grand Place é
o coração do centro histórico e aqui se situa
o Hotêl de Ville (câmara municipal) gótico
do século XV. Na entrada deste edifício encontra-se
o símbolo da cidade de Mons, a estátua do pequeno
macaco que dá sorte a quem lhe fizer uma festa na cabeça.
Da Grand Place saiem várias bonitas ruas pedonais de comércio,
destaca-se a Rue de la Chaussée. O Beffroi
é único na Bélgica, construído no estilo
renascentista e barroco durante o século XVII, tem 87 m.
A Igreja de St. Waudru é um excelente exemplo do estilo
gótico brabantino e foi terminada em 1690. Dentro da igreja
está o Car d'Or, uma carruagem de madeira do século
XVII usada na procissão anual para transportar a imagem
de St. Waudru. No mesmo dia acontece a mítica batalha
de St. George com o dragão. Reza a tradição
que se os cavalos não conseguirem puxar a carruagem rampa
acima na saída da igreja, algum mal virá a Mons. A
única vez que aconteceu foi em 1939 e no ano seguinte os
alemães estavam a invadir a Bélgica. No mesmo dia
acontece a mítica batalha de St. Georges com o dragão.
Este confronto chamado Lumeçon, ocorre na Grand Place e ilustra
vitória de St. Georges contra o mal. O dragão tem
quase 10 metros e diz também a tradição que
quem conseguir apanhar um pêlo da cauda do dragão terá
sorte. Estes eventos fazem parte das festividades da cidade chamadas
"Doudou".
Na cidade de Mons existem muitas actividades de lazer para disfrutar.
Para começar é lógico que se fale na cerveja.
A Bélgica é certamente o "país da cerveja"
e isso pode testemunahr-se em Mons pela proliferação
de bares que oferecem dezenas e centenas de cervejas diferentes.
Gaba-se um deles de ter 365 cervejas diferentes, uma para cada dia
do ano. A Grand Place tem várias esplanadas que são
bons locais para apreciar as cervejas observando a vida da cidade
naquela praça antiga. Para melhor apreciar as cervejas à
noite, o local de maior agitação é o Marché
aux Herbes. Aqui fica o popular bar Quartier Latin. Para matar a
fome depois de tantas cervejas, nada como provar as famosas "mitraillettes"
no "chez Bily". As "metralhadoras" são
umas sandes enormes em pão francês, com carne, batatas
fritas (dentro) e vários molhos. Borinage é
a região industrial à volta de Mons onde se situavam
as minas de carvão agora fechadas. A indústria metalúrgica
substitui actualmente as minas.
Namur é a capital da Valónia e também
da província de Namur. Tem 105.000 habitantes e situa-se
nas margens do Rio Meuse na sua confluência com o Rio Sambre.
Comparativamente com Dinant, Namur é uma cidade grande e
por isso não tão pitoresca. Mesmo assim, as margens
dos dois rios oferecem bonitos cenários. Por exemplo a Cidadela
é fabulosa no seu contraste com o Rio Meuse, é majestosa
e domina a cidade de uma colina. Foi iniciada pelos romanos como
fortificação de defesa das tribos germânicas.
Actualmente, um teleférico transporta para lá os visitantes.
Outros monumentos importantes são a Catedral Saint
Aubin, em estilo barroco do século XVIII. O Halle al'chair
alberga um museu arqueológico. Na Place des Armes fica o
Beffroi da cidade, de 1385. O vale do Rio Meuse entre Dinant
e Namur oferece bonitos cenários com pequenos montes e sumptuosas
casas, muitas vezes com cais próprio no rio.
Dinant fica na província de Namur. É uma pequena
cidade turística com muito interesse histórico situada
nas margens do Rio Meuse, um importante afluente do Reno. A cidade
é dominada pelo rio e por um impressionante rochedo
que se ergue na vertical sobre as ruas do centro. No centro, o conjunto
arquitectónico é muito harmonioso criando um bonito
cenário de casario nas margens no rio. A Igreja Colegial
de Notre-Dame é magnífica contrastando com o rochedo
que domina a cidade e o Rio Meuse. Foi construída no século
XII em estilo românico, mas em 1227 parte do rochedo caiu
destruindo a torre. A igreja foi parcialmente reconstruída
em estilo gótico e uma nova torre de 68 metros foi erguida
com uma bonita abóbada preta. Ao lado da Igreja há
um teleférico que transporta os visitantes ao topo de rochedo
onde fica a Cidadela. Lá em cima a vista é fantástica
sobre a cidade e o Rio Meuse. A Cidadela permanece conservada
como museu e oferece uma visita guiada plena de factos históricos
e artefactos que explicam os detalhes das batalhas travadas na região
ao longo da história, devido à sua localização
estratégica no Rio Meuse.
Tournai fica na província de Hainaut, nas margens
do Rio Escaut (Schelde), e tem 67.000 habitantes. Foi uma importante
cidade da Flandres antiga. A Catedral de Nossa Senhora é
uma igreja magnífica que mistura os estilos românico
e gótico dos séculos XII a XIV.
Lompret é uma pequena vila perto de Chimay, na província
de Hainaut. É muito procurada pela sua especialidade gastronómica,
o "Escavèche" de enguias com batatas fritas, de
preferência com uma cerveja da região "Chimay"
que aqui se encontra "au fût" (à pressão).
Num restaurante junto a um pequeno rio, em pleno campo belga povoado
de quintas, tem-se um excelente cenário para apreciar a gastronomia.
Chimay é conhecida por produzir uma das 6 únicas
cervejas trapistas (produzida por monges trapistas) da Bélgica.
A Valónia fica bem no centro da Europa, perto de cidades
como Paris, Londres e Amsterdão. Assim, existem por isso
muitas maneiras de ali chegar pela fantástica rede de auto-estradas
ou ferrovias. Mons fica a 70 kms de Bruxelas, 114 kms de Antuérpia,
130 kms de Liège, 130 kms de Bruges, 250 kms de Paris e 2170
kms de Lisboa.
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