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| Mapa
de Cabo Verde |
O arquipélago de Cabo Verde tem uma superfície de 4.033 km2 e uma
população de 414.000 habitantes. É composto por 10 ilhas (das quais,
uma não é habitada) e 5 ilhéus. Situa-se aproximadamente 500 km
a oeste do continente africano defronte do Senegal. Todas as ilhas
são de origem vulcânica sendo o Pico do Fogo um vulcão ainda em
actividade. Além disso é também o pico mais elevado do país com
2829 m.
As ilhas dividem-se em 2 grupos: Barlavento (Santo Antão, São Vicente,
Santa Luzia, São Nicolau e Sal) e Sotavento (Brava, Fogo, Santiago,
Maio e Boavista). Com excepção das ilhas do Sal, Boavista e Maio,
todas as outras são muito acidentadas com montanhas abruptas e vales
profundos. O clima é tropical seco e apesar de existir uma época
húmida, de Agosto a Outubro, raramente chove. Deste modo, o país
não consegue ser auto-suficiente e a sua economia roda em torno
das importações e do comércio. No entanto, é no sector primário
que trabalha a grande parte da população activa. Assim, a agro-pecuária
predomina em Cabo Verde, seja no cultivo de milho, em sequeiro,
ou de cana-de-açúcar, em regadio. Também a pesca é um sector de
grande importância em Cabo Verde apesar de estar subaproveitado
e apresentar um grande potencial. O turismo também começa actualmente
a crescer aproveitando o grande potencial do clima tropical quente
quase 365 dias por ano.
Em Cabo Verde existem apenas duas grandes concentrações urbanas,
a Cidade da Praia, na ilha mais povoada de Santiago, e o Mindelo
na ilha de São Vicente. A Praia é também a capital do país albergando
a sede do governo. O Mindelo tem o porto mais importante de Cabo
Verde. Na Ilha do Sal situa-se o Aeroporto Internacional de Cabo
Verde.
Outras cidades mais importantes noutras ilhas são, Ribeira Grande
em Santo Antão, São Filipe no Fogo, Espargos no Sal e Ribeira Brava
em São Nicolau.
O conhecimento destas ilhas é provavelmente anterior à
fixação no arquipélago dos portugueses. O seu
descobrimento deu-se no século XV, quanto aos seus efectivos
descobridores existe alguma polémica. As primeiras ilhas
a serem descobertas foram provavelmente a de Santiago, Maio, Boavista
e Sal, em 1460, pelo veneziano Cadamosto no decurso da segunda viagem
ao longo da costa ocidental de África ao serviço de
Portugal. As ilhas de Brava, São Nicolau, São Vicente,
Rasa, Branca, Santa Luzia e Santo Antão terão sido
descobertas, em 1462, por Diogo Afonso.
A colonização começou logo após a sua
descoberta, sendo as primeiras ilhas serem povoadas as de Santiago
e Fogo. Para incentivar a colonização a corte portuguesa
estabeleceu uma carta de privilégio aos moradores de Santiago
do comércio de escravos na Costa da Guiné. Foi estabelecida
uma feitoria em Ribeira Grande (ilha de Santo Antão), ponto
de escala para os navios portugueses. Cabo Verde tinha então
uma situação estratégica fundamental, não
apenas para a exploração da costa africana e do caminho
marítimo para a Índia, mas também para o trafego
de escravos, o qual conhece entre os séculos XVI e finais
do século XIX um grande incremento para as Américas
(Portugal, Espanha, Brasil, Índias Ocidentais, EUA, etc).
No final do século XV, Cabo Verde produzia cereais (milho),
fruta e legumes, algodão, anil, gado (vacas, cavalos e burros).
O Porto de Ribeira Brava é no século XVI um verdadeiro
mercado internacional de escravos e com menor importância
destacavam-se o da Praia.
A situação económica do arquipélago
agrava-se contudo durante a dominação filipina de
Portugal (1580-1640), nomeadamente devido aos ataques dos piratas
Ingleses, Holandeses e Franceses. Estes ataques prolongaram-se até
ao princípio do século XVIII.
Na segunda metade do século XVII, termina a época
dos arrendatários individuais no comércio de escravos.
Em 1664 é fundada a Companhia Porto de Palmida, com capitais
portugueses e franceses.
No século XVIII os portos de Cabo Verde, voltam a adquirir
uma de enorme importância para as navegações
de longo curso que cruzam esta zona do Atlântico. A caça
à baleia, a partir do final do século contribui para
reanimar os seus portos.
Marquês de Pombal, em 1757, confia a administração
destas ilhas à Companhia do Grã Pará e Maranhão,
numa experiência que dura vinte anos. Mais uma vez, o que
está em jogo é o comércio de escravos.
A aridez do território e a extrema irregularidade do clima
tornaram-se um sério obstáculo ao desenvolvimento
da agricultura. Entre as culturas que são introduzidas, destaca-se
a do cultivo do café em 1790, primeiro na ilha de S. Vicente
e depois nas restantes. Os resultados nunca se revelaram contudo
muito auspiciosos.
Apesar dos acordos entre Portugal e a Inglaterra para a proibição
do tráfico de escravos em Bissau e Cacheu (1810), e depois
a sua interdição a norte do equador (1815), não
terminam com este comércio na região. Muito pelo contrário
assistiu-se mesmo ao seu incremento, embora feito de uma forma clandestina.
Barcos espanhóis, franceses, brasileiros, ingleses, etc,
escalavam dos portos de Cabo Verde cheios de escravos para o Brasil,
EUA, Cuba e outras lugares.
O fim efectivo do comércio de escravos, no último
quartel do século XIX, provoca uma profunda crise nas ilhas.
O desenvolvimento de plantações, acaba por ter efeitos
devastadores no ambiente: a destruição de enormes
manchas florestais para dar origem a explorações agrícolas
agravam as condições climatéricas em períodos
de seca. A emigração torna-se no principal recurso
para a sobrevivência da população a partir de
meados do século XIX.
A posição estratégica de Cabo Verde, torna-se
um ponto de escala obrigatório para os navios que se deslocam
de e para o atlântico sul. Devido a esse facto foram então
feitos importantes importantes investimentos no arquipélago.
Entre os mais significativos destaca-se a colocação
de faróis, e sobretudo a reconstrução do Porto
Grande do Mindelo (Ilha de S.Vicente), para o abastecimento dos
navios de carvão e óleos (Wilson & Company, em
1885). A actividade portuária acabou por se tornar numa significativa
fonte de receitas do arquipélago.
Nesta época foram também amarrados de cabos submarinos
(Western Telegraph Company, em 1874), ligando Cabo Verde (Praia
da Matiota em S. Vicente) à Madeira e depois ao Brasil. Em
1886 Cabo Verde ficou ligada a África e Europa através
de cabo submarino.
Secas prolongadas e epidemias continuaram a provocar milhares de
mortes e uma enorme emigração. A partir de 1880, estes
emigrantes constituem já importantes comunidades permanentes
nos portos baleeiros dos EUA, como New Bedford, Providence, Nova
Inglaterra, etc.
Em finais do século XIX, dezenas de milhares de Cabo-verdianos
começaram a ser compelidos ao trabalho forçado nas
plantações de São Tomé e Príncipe.
Entre 1900 e 1922, por exemplo, foram enviados para as plantações
de São Tomé 23.978 Cabo-verdianos, prática
que se prolongou até 1974.
Nas primeiras décadas do século XX, Cabo Verde, conhece
um singular desenvolvimento cultural e educativo, o que contrastava
com a sua pobreza económica.
Em finais dos anos trinta do século XX, Cabo Verde, é
dotada de um importante aeroporto, modernizado nos anos sessenta.
A luta pela independência eclode em 1964 na Guiné,
conduzida por Amílcar Cabral pretende construir uma pátria
comum com a Guiné. A economia Cabo-verdiana manteve-se ao
longo de décadas deficitária, apesar da protecção
que gozam os seus produtos em Portugal.
O derrube da ditadura em Portugal, a 25 de Abril de 1974, precipitou
a Independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau. No
dia 26 de Agosto de 1974, em Londres e depois em Argel, o governo
português reconhece o Estado da Guiné-Bissau, assim
como o direito de Cabo Verde à Independência. O PAIGC
é também reconhecido como o único e legítimo
representante dos povos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.
Em Cabo Verde é constituído um Governo de transição,
composto por cabo-verdianos e portugueses. A 30 de Junho de 1975
foi eleita uma Assembleia constituinte, composta por 56 deputados
e 72 suplentes, com a participação de 84% dos eleitores.
A lista única proposta pelo PAIGC recebeu 92% dos sufrágios
expressos. Esta Assembleia proclamou a Independência da República
de Cabo Verde a 5 de Julho de 1975 e promulgou uma lei sobre a Organização
Política do Estado que funcionou como uma Constituição
até a aprovação desta na IX sessão legislativa
de 5 de Setembro de 1980. O Presidente da República foi eleito
e alguns dias depois formou o primeiro Governo do Estado de Cabo
Verde, dirigido por um Primeiro Ministro.
A unificação com a Guiné é abandonada
em 1980, na sequência de um golpe de estado. O PAIGC dá
lugar ao PAICV, restringido na sua acção a Cabo Verde.
Cabo Verde passou depois de 1975 a ser governado em regime de Partido
único, segundo um modelo de inspiração marxista.
Dadas as dificuldades económicas procurou seguir uma escrupulosa
política de não alinhamento por nenhum dos blocos
políticos em que o mundo se dividia. Algumas políticas
pouco adequadas agravaram contudo, nos anos oitenta, os problemas
do país.
Em 1991, foi finalmente estabelecido um regime democrático.
Em Janeiro deste ano, nas primeiras eleições livres
do país, Aristídes Pereira foi afastado da presidência
e o PAICV saiu claramente derrotado nas eleições para
a Assembleia Nacional. O novo presidente, António Mascarenhas
Monteiro, antigo juiz do Supremo Tribunal, dirigia o principal partido
da Oposição, o MPD (Movimento para a Democracia).
Apesar das enormes dificuldades, Cabo Verde apresenta hoje um panorama
económico e social bastante promissor.
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