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| Mapa
da República Checa |
A República Checa situa-se no centro da Europa e ocupa uma
superfície de 78.866 km2. O seu território não
tem mar por perto, ficando a 326 km do Mar Báltico e 322
km do Mar Adriático. Faz fronteira com a Alemanha, Polónia,
Áustria e Eslováquia. O país tem uma população
de 10,29 milhões de habitantes, concentrando-se uma boa parte
(1,7 milhões) na capital Praga.
O pico mais elevado do país é o Monte Snezka com
1602 m. Os principais rios são o Elba, Labe, Morava, Oder
e Vltava. A República Checa é maioritariamente um
grande planalto (Boémia) cercado de montanhas (Morávias).
O país, anteriormente chamado Checoslováquia, separou-se
da Eslováquia em 1993 após os acontecimentos que levaram
à queda do Muro de Berlim. Actualmente a República
Checa é um país moderno que prepara a sua adesão
à União Europeia em 2004.
Os povos eslavos começam a povoar o território da
Boémia e da Morávia em finais do século V e
no início do século VI, no chamado período
da Migração dos Povos. Na primeira metade do século
VII regista-se a primeira tentativa bem sucedida para unir as tribos
eslavas. O chamado "reino de Samo" resistiu às
pressões do poderoso império Avar, com base nas terras
baixas da Hungria, e defendeu o seu território contra as
forças dos francos ocidentais, embora apenas com êxito
parcial.
A cultura do Grande Império da Morávia influenciou
consideravelmente o desenvolvimento da cultura e da religião
entre os eslavos do leste e do Sul na Idade Média. Em 863,
os missionários cristãos bizantinos Constantino e
Metódio vieram para a Morávia para introduzir a liturgia
eslava. No entanto, a influência da Igreja Católica
Romana continuou a expandir-se rapidamente, tornando-se decisiva
no rumo tomado pela história da Boémia e da Morávia.
No século IX, a Boémia tornou-se o centro dum processo
de construção do Estado independente. Durante o reinado
da dinastia de Premyslid, o Estado checo desenvolveu-se e reforçou-se,
conseguindo preservar a sua soberania de facto, apesar de relações
formais de vassalagem ao Sacro Império Romano. Em 935 morreu
o Príncipe Venceslau (Václav), o santo patrono da
Boémia. Em 1085, Vladislau (Vratislav) torna-se o primeiro
príncipe boémio a quem é atribuído o
direito de usar um título de rei, enquanto recompensa pelo
apoio que deu ao imperador Henrique IV durante a sua luta contra
o papa Gregório VII. Em 1212 é publicada a Bula de
Ouro da Sicília, um decreto que proclama o reino da Boémia
e torna os príncipes da Boémia reis hereditários:
Ottokar I, da dinastia de Premysl, é nomeado rei. A Bula
declara igualmente a indivisibilidade do reino da Boémia
e regula as suas relações com o Sacro Império
Romano. A Boémia torna-se então um dos mais importantes
Estados no âmbito do Império.
O reinado da dinastia Luxemburgo começou quando João
do Luxemburgo (1310-1346) foi eleito Rei da Boémia, em 1310.
Os reis Luxemburgos foram acrescentando territórios ao seu
reino, que ficou conhecido como Terras da Coroa da Boémia,
um termo oficialmente consagrado por decreto de Carlos IV em 1348.
Estas Terras da Coroa abrangiam o reino da Boémia e os chamados
territórios adjacentes - o margraviado da Morávia,
os principados da Silésia, a Alta Lusácia e, a partir
de1368, também a Baixa Lusácia. O reino da Boémia
alcançou o auge do seu poder e prestígio durante o
reinado de Carlos IV (1346-1378), o segundo Luxemburgo no trono
da Boémia: Em 1344, é fundado o Arcebispado de Praga.
Carlos IV, que instituiu a Universidade Carlos em 1348 a
primeira universidade a Norte dos Alpes, foi coroado Imperador do
Sacro Império Romano em Roma, em 1355.
O herdeiro da coroa da Boémia, Segismundo, imperador do
Sacro Império Romano, tentou derrotar a revolução
pela força, mas os hussitas derrotaram as suas cinco cruzadas
consecutivas nos anos de 1420-1431. Só em 1434, quando a
coligação de moderados derrotou os radicais, abrindo
o caminho para um acordo temporário entre a Boémia
hussita e a Europa católica. Este acordo, os Pactos de Basileia,
foi proclamado em 1436, confirmando a denominação
hussita, o que veio mais tarde a ser comparado à Reforma
do século XVI. O movimento hussita alterou consideravelmente
as estruturas da sociedade, criando pela primeira vez um dualismo
religioso na Europa cristã. A nação checa e
a cultura checa ganharam renome nesta época.
Durante o reinado de Vladislau e do seu filho Luís, o poder
dos Estados continuou a crescer, em detrimento do poder real. Os
conflitos prosseguiram, quer entre as cidades reais e os nobres,
quer as lutas religiosas entre a Igreja Hussita e a Igreja Católica,
então minoritária, que aspirava recuperar o seu antigo
poder.
Os Habsburgos da Áustria sucederam no trono da Boémia
à dinastia de Jagellon em 1526, por extinção
da linha dinástica. O reinado dos Habsburgos trouxe a reintrodução
da religião católica romana e da centralização,
concomitantemente com a construção dum império
multinacional. Os Habsburgos absorveram as Terras da Coroa da Boémia
na sua monarquia, passando estas a ser parte integrante do império
dos Habsburgos até 1918. Quando Rodolfo II (1576-1611), durante
o seu reinado, abandonou Viena para se instalar em Praga, a capital
da Boémia tornou-se um centro importante da cultura europeia.
Os Estados checos forçaram Rodolfo II a emitir um decreto
a chamada "Carta de Majestade" que proclama
a liberdade religiosa. Os imperadores Matias e Fernando tentaram
limitar esta liberdade, mas os seus esforços só conseguiram
desencadear uma guerra civil entre os Estados e o imperador católico,
que mais tarde se espalhou pela Europa sob o nome de Guerra dos
Trinta Anos. Os checos elegeram então um rei independente.
Os Estados foram derrotados em 1620 na batalha da Montanha Branca,
o que levou a que o reino da Boémia tenha perdido a sua independência
nos 300 anos seguintes. O período da Guerra dos Trinta Anos
trouxe desordens políticas e a devastação económica
da Boémia, com graves consequências a longo prazo para
o futuro desenvolvimento do país. O povo da Boémia
viu-se forçado a aceitar a fé católica ou a
emigrar. O trono da Boémia passou a fazer parte da monarquia
hereditária dos Habsburgos e os serviços mais importantes
foram transferidos permanentemente para Viena. O período
posterior à Guerra dos Trinta Anos assiste ao enraizamento
profundo da cultura barroca. O barroco checo influenciou durante
séculos a arquitectura das cidades e aldeias checas.
Embora o movimento de renascimento nacional checo apenas aspirasse
inicialmente reavivar a língua e a cultura checas, rapidamente
evoluiu para ambições de emancipação
politica. No ano revolucionário de 1848, os políticos
checos formularam as primeiras propostas politicas coerentes com
vista a reconstruir o império enquanto Estado federal. Estes
anseios de emancipação nacional foram também
sustentados pela rápida industrialização da
Boémia, que fez deste país o mais desenvolvido do
império na segunda metade do século XIX.
Nos anos da 1ª Guerra Mundial, a derrota da Áustria-Hungria
abriu o caminho para a fundação dum Estado independente
dos checos e eslovacos (28.10.1918). A República da Checoslováquia
figurou entre os dez países mais desenvolvidos do mundo.
Este período de vinte anos de democracia e prosperidade foi
terminado com a agressão da Alemanha de Hitler. A conferência
de Munique e subsequente ocupação alemã em
Março de 1939 puseram termo à existência do
Estado checo independente.
Após a 2ª Guerra Mundial, a república restaurada
foi integrada na esfera de poder dos soviéticos. Um curto
período de democracia "limitada" foi terminado
devido à tomada do poder pelo Parido Comunista em Fevereiro
de 1948. Foram expropriadas todas as propriedades privadas e foram
suprimidos os direitos políticos e humanos. A tentativa para
alterar e humanizar o regime comunista e para enfraquecer as ligações
à União Soviética foi interrompida quando o
exército soviético invadiu o país em Agosto
de 1968.
A decadência gradual do regime comunista e do império
soviético, bem como os protestos e manifestações
de massa do povo checoslovaco, culminaram com o derrube do regime
comunista em Novembro de 1989. O novo regime foi confirmado com
a eleição de Václav Havel para o cargo de Presidente
da República.
Em 1 de Janeiro de 1993, o Estado checoslovaco foi dividido pacificamente
e foram fundadas República Checa e a República Eslovaca.
Václav Havel foi o primeiro presidente da República
Checa. Nos anos subsequentes, a República Checa aderiu à
Organização de Cooperação e Desenvolvimento
Económico (OCDE) em 1994, assinou o acordo de associação
com a União Europeia em 1995 e aderiu à NATO em 1999.
Os checos concluíram com sucesso a transformação
do anterior sistema estatal centralizado numa democracia parlamentar
e numa economia de mercado.
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