França, Julho 1986 - Um assalto na Provence
No fim de Julho de 1986, com 15 anos, eu ia iniciar a primeira aventura
fora da interminável Península Ibérica. Estava
absolutamente entusiasmado com o que eu considerava a primeira grande
viagem, depois de algumas jornadas em Madrid, Corunha ou Salamanca.
Estava no quarto dia de viagem com os meus pais e a minha irmã.
Tinhamos dormido num parque de campismo em Sète, no sul de
França um pouco antes de Montpellier e tinhamos mais uns
dias até encontrar a minha madrinha e primos em Milão,
conforme combinado.
Passámos na periferia de Montpellier e seguimos pela estrada
principal em direcção a Aix-en-Provence. Na verdade,
em 1986, no tempo em que ainda era necessário passaporte
para entrar em alguns países europeus, tentávamos
economizar nas portagens de auto-estrada e até preferíamos
apreciar tranquilamente as belezas do campo. Ora, depois de passar
Salon-en-Provence, o meu pai encostou o carro na berma para comprar
fruta com a minha mãe num vendedor ambulante. Eu e a minha
irmã ficámos no banco de atrás do digníssimo
Fiat Uno. Um carro que parou atrás de nós, deixou
que os meus pais atravessássem a estrada para, numa parelha
de bandidos, um deles andou lentamente com o carro enquanto o outro
caminhou ao lado do nosso carro e levou a mala branca que inocentemente
a minha mãe deixou em cima do tablier, apesar da janela ter
ficado aberta como todo o carro. O meu pai viu e nervosamente atravessou
novamente a estrada entrando no carro com a minha mãe. Acelerou
depois em perseguição daquele carro onde dois vilões
levavam na mala branca todo o dinheiro que levávamos, os
travel cheques, documentos e até o meu relógio com
cronógrafo. O carro desvaneceu-se no alcatrão de Provence.
O meu pai como pessimista que era, tornou aquele drama numa autêntica
catástrofe. Ficámos sem nada e a viagem estava comprometida...
iamos a Milão, à Suiça e daí para Paris.
A minha primeira grande viagem estava em vias de ir pelo cano. Fomos
a Aix-en-Provence à Gendarmerie (polícia) e o acto
ficou registado, como mais era impossível fazer. Felizmente,
como deve ser feito, tinhamos o comprovativo dos travel cheques
noutro sítio e foi assim possível recuperar esse 90
contos (à altura) que eram na verdade mais de metade do que
levávamos. Naquele altura não havia ATMs, levantamentos
Visa ou qualquer outro sistema que hoje facilita qualquer viagem
no lugar mais recôndito do mundo. Bom, o facto de termos recuperado
esse dinheiro com o comprovativo (também era para isso que
ele servia) permitiu acalentar alguma esperança de prosseguir
a viagem. Mas ainda não tinhamos documentos. Seguimos então
para Marselha, onde procurámos o Consulado Português.
Lá, foram absolutamente fantásticos connosco, apesar
de notoriamente não serem com outros portugueses emigrantes
que eram atendidos com rudeza. Enfim, o Consulado emprestou-nos
50 contos e fez-nos novos passaportes apenas com os nossos dados
de boca. Dormimos em Marselha. No dia seguinte, após alguma
serenidade recuperada, os meus pais decidiram continuar a viagem
e assim o sonho continuou. Seguimos para Cannes e no dia seguinte
encontrámos a minha madrinha e primos no parque de campismo
de Milão, depois de visitar o Mónaco e passar pela
Riviera italiana. Fizemos a viagem como planeado pela Suiça
e só não fomos a Paris. Nada mau para um rapaz de
15 anos em 1986. Mais tarde, já em Portugal, apareceu a mala
branca com os documentos que foi enviada para casa da prima da minha
mãe nos arredores de Paris.
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Bélgica, Setembro 1988 - Os amigos flamengos e lusos
Em Setembro de 1988 fazia a segunda grande viagem além-Pirinéus
com os meus pais e a minha irmã. Iamos conhecer o Vale do
Loire em França, Paris, Bélgica e Holanda. Foi uma
viagem em que encontrámos algumas pessoas, como os nossos
primos de Pont Saint Maxence, uma pequena localidade a norte de
Paris. Ali montámos base para visitar Paris uns 3 ou 4 dias,
onde todos os dias chegávamos à Gare du Nord. Mais
à frente, seguimos em direcção à Bélgica
pelo Pas-de-Calais. No Cap Gris Nez avistámos a costa de
Inglaterra onde eu sonhava ir em breve. Entrámos na Bélgica
pela costa e dormimos em Bruges. No dia seguinte visitámos
aquela cidade e Gent, as duas são verdadeiras testemunhos
da riqueza da Flandres em tempos idos. Fomos dormir a Bruxelas,
num parque de campismo no bairro ocidental de Grimbergen. Decidimos
ligar para os nossos amigos Mannaerts de Herentals. As filhas, Inge
e Sanny eram amigas minhas e da minha irmã de longa data,
dos Verões passados no parque de campismo de Setúbal.
Tinhamos estado com eles 1 mês antes em Setúbal onde
eles alugavam um bungalow. Gentilmente convidaram-nos logo para
ficarmos em casa deles em Herentals, uma pequena cidade uns 30 kms
a leste de Antuérpia. Depois de visitar Bruxelas, seguimos
para Herentals por Leuven, a bonita cidade universitária
onde os exemplos do gótico flamejante são magníficos.
Chegados a Herentals, fomos muito bem recebidos em casa dos Mannaerts.
Nessa noite fomos com a Inge e a Sanny à feira da cidade
e depois à discoteca. No dia seguinte fomos com os Mannaerts
a Antuérpia e encontámo-nos com os outros amigos de
Setúbal que ali viviam, o Carlos da Cunha e os pais, emigrantes
portugueses na Bélgica. Visitámos com eles a cidade
portuária. À noite jantámos em casa da avó
das nossas amigas, em Herentals. No dia seguinte visitámos
Bokrijk, um enorme museu ao ar livre com casas rurais, moínhos,
celeiros e representações da vida rural belga de séculos
anteriores. Ali provámos diferentes cervejas belgas no bar
daquele parque. A estadia em Herentals estava a ser muito interessante
pelo convívio com locais e pelo conhecimento dos seus hábitos
e cultura. Mas era preciso continuar a viagem e, no dia seguinte,
seguimos para a Holanda. No regresso, ainda dormimos mais uma noite
em casa dos Mannaerts.
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Açores, Agosto 1997 - Uma aventura no Pico
Em Agosto de 1997, estava eu pela primeira vez no belíssimo
arquipélago dos Açores, mais propriamente na Ilha
Terceira a passar férias com o meu amigo João. Estavam
na Terceira também outros amigos com ligações
aos Açores e juntamente com amigos açoreanos combinámos
passar um fim-de-semana no Pico que teria como principal objectivo,
a conquista do pico mais alto de Portugal, o Pico do Pico com 2351
metros.
Assim, partimos numa 5ª feira da Baía de Angra do Heroísmo
numa lancha alugada no Clube Náutico com "capitão"
para nos conduzir. A viagem foi lindíssima num belo dia de
sol. Circundámos o Monte Brasil e a costa sul da ilha vislumbrando
a igreja de S. Mateus com uma escolta de golfinhos a acompanhar-nos.
Éramos uns 10 na lancha incluindo o marinheiro. O mar dos
Açores não é mole e as raparigas (não
é uma abstracta referência sexista, mas a dura realidade)
que não tinham tomado comprimidos para o enjôo começaram
a fazer fila na popa para alimentar os peixinhos. As que tinham
tomado o forte comprimido estavam a dormir. Mais à frente
deixámos o contorno da Terceira chegando bem perto da Ilha
de São Jorge. Com o seu formato esguio e comprido, seguimos
a sua costa até termos já a Ilha do Pico também
do lado esquerdo. Esta última é grande e demorou um
bocado circundá-la até ao destino final, o cais da
vila da Madalena. Aqui chegámos 6 horas depois de partir
de Angra e já pudemos avistar a Ilha do Faial do outro lado
do Canal.
Depois de se nos juntarem mais uns amigos que chegaram de avião
e arranjarmos a carrinha Ford Transit que nos ia transportar pela
ilha, instalámo-nos numa casa alugada perto da Madalena.
No dia seguinte fomos explorar as estradas do Pico onde encontrámos
um local paradisíaco de banhos. Ali ficámos algumas
horas aproveitando as águas translúcidas e azuis envoltas
por rochas e escarpas que tornavam o lugar apetecível. Mais
tarde, tocámos a salsa na carrinha e fomos grelhar lapas...
Depois do jantar fomos até à única discoteca
da vila, de onde saímos antes das 4h. A maior parte seguiu
para o santo descanso, mas 5 de nós ainda fomos procurar
uma aventura nocturna. A noite estava estrelada e muito agradável,
o Carlos tinha o barco ao largo de uma pequena enseada da Madalena.
Fomos para o barco a nadar e seguimos noite fora em suave navegação
pelo canal que separa o Pico do Faial. Mais tarde atracámos
definitivamente na Marina da Horta onde descansámos um pouco
na cabina. Quando o dia raiava, saímos novamente no barco
em direcção ao Canal e vimos o sol nascer exactamente
ao lado do imenso vulcão do Pico cuja dimensão é
esmagadora visto do nível do mar. Voltámos a atracar
na Horta e fomos tomar o pequeno-almoço ao famoso Peter's
Cafe Sport acompanhando com um gin tónico como manda a tradição
dos marinheiros.
Já a manhã ia a meio de um lindo dia de sol que prometia
uma subida ao Pico arrebatadora e nós continuávamos
a "brincar" ao ski e ao sku e ao sker-ke-seja e sobretudo
a dar uns belos mergulhos no canal. O resto do pessoal estava fresquinho
a comer umas belas lapas na Madalena e onde nós nos juntámos
já de tarde. Já depois das 17h seguimos com a Ford
Transit em direcção à base do Pico onde se
inicia a subida a cerca de 1200 m de altitude.
Éramos uns 15 e já tinhamos começado tarde
a subida ao cume, mais propriamente à cratera do vulcão
onde iamos pernoitar. Aqui ia começar a verdadeira aventura
que, depois de um belo dia de sol e mar, ia revelar-se um verdadeiro
pesadelo para todos inesquecível.
A subida foi maravilhosa e, apesar de carregar mochilas durante
5 horas num considerável esforço físico, a
sensação de liberdade e de grandeza conjugava-se com
a magnífica paisagem que vista das alturas se tornava única.
A visão do Faial assemelhava-se cada vez mais com os contornos
de um mapa tal a sua pequenez. Em breve o sol punha-se e a noite
caía. Ainda subimos durante uma hora na escuridão
da noite ajudados pela parca luz de poucas lanternas. Chegados à
cratera perto das 23h instalámo-nos no interior de um muro
de pedra preparando-nos para uma noite de festa que se adivinhava,
com chouriços assados nas assadeiras que trouxemos, com Angelica
(licor do Pico), com Aguardente da Graciosa, enfim, a preparação
gastronómica da expedição não tinha
sido esquecida...
... no entanto, rapidamente passou da meia-noite e as primeiras
chuvas começaram a cair. Sem abrigos e no escuro, todas as
protecções à chuva foram improvisadas, os sacos-de-cama
foram usados como tenda até se ensoparem completamente. A
chuva foi aumentando de intensidade ininterruptamente e já
todas as protecções possíveis estavam inutilizadas
e em breve as roupas do corpo encharcadas. A diversão do
cume do Pico tinha-se tornado um mau bocado e ninguém dormiu
esperando que o dia seguinte nascesse para voltar a "terra
firme". Durante a noite alguém entrou em desespero e
disse que se ia embora sozinho, até tropeçar na primeira
pedra e estatelar-se na lama, caindo na realidade. Entre as 6h e
as 7h da manhã o dia clareou o suficiente para vermos que
estava uma tempestade terrível e um nevoeiro que não
permitia ver um palmo à frente do nariz. A possibilidade
sequer de observar o Piquinho (o pequeno monte na cratera que é
o verdadeiro cume e que atinge os 2351 m) estava fora de questão,
quanto mais de o subir. Um grupo procurou a melhor saída
da cratera para iniciar a descida, mas a primeira pessoa que pôs
a cabeça de fora sentiu o empurrão dos ventos ciclónicos
que viemos a saber mais tarde atingiam 100 km/h. Voltando para trás
surgiram os primeiros sintomas de pânico no grupo, quando
alguém sugeria que chamássemos a Força Aérea
(apesar da inexistência de qualquer meio de comunicação)
ou perguntava se "iamos morrer?". Estávamos encharcados
depois de uma noite debaixo de chuva torrencial e uma pessoa entrou
em hipotermia. Ninguém sabia o que fazer, quando no meio
do nevoeiro encontrámos um guia de montanha que estava com
outro grupo. No Verão a cratera do Pico junta muitos aventureiros
que pernoitam e felizmente um dos grupos lembrou-se de levar um
guia que tomou a iniciativa de reunir toda a gente que estava na
cratera e iniciar a descida em conjunto. Ao subir a pequena encosta
da cratera para o exterior, muita gente não suportou o incómodo
das mochilas e algumas ficaram para trás, eu próprio
deixei para trás o saco-de-cama que encharcado na sua robustez
se tornou um peso psicologicamente excessivo.
Iniciando a descida do Pico, a expedição prosseguia
muitas vezes de mãos dadas pelo nevoeiro, seguindo o guia
à cabeça. A chuva vinha quase sempre de baixo empurrada
pelo vento impiedoso e a fase final da expedição ao
Pico lembrava, a quem ainda podia desviar o pensamento, as célebres
expedições ao Evereste que frequentemente se vêem
nos documentários da TV. De facto, as nossas sobrancelhas
estavam brancas das gotículas da chuva congeladas, isto em
pleno Agosto.
Com ligeiros precalços pelo meio, toda a gente conseguiu
chegar à base sem problemas numa descida que durou 4 horas,
e pode-se dizer que o fim da descida à chegada quase que
parecia a chegada ao paraíso. O João, que tinha ficado
no aconchego da Madalena (do Pico), recebeu-nos com café
quente.
Fomos para casa tomar um fabuloso banho para tirar quilos de lama
e fomos ainda dormir um pouco. Quando me sentia já tranquilo
e depois de um breve repouso, alguém me acordou bruscamente
anunciando a continuação da aventura, na sua vertente
menos brilhante... era domingo, previa-se a chegada de uma frente
e tinhamos que partir imediatamente para a Terceira evitando o risco
de ficar presos 3 ou 4 dias no Pico quando algumas pessoas tinham
que trabalhar na Terceira no dia seguinte. Assim apressámo-nos
a preparar a trouxa e fazer sandes de queijo do Pico e queijo de
São Jorge e embarcámos na lancha com o mesmo "capitão".
Tinhamos 6 horas pela frente de navegação o que fazia
prever quase metade da viagem à noite. A "dita"
frente que se avizinhava não parecia querer esperar pela
nossa chegada à Terceira e começou a dar ares da sua
graça bem antes. As ondas que faziam o barco balancear cedo
se tornaram vagas assustadoras e o melhor que eu interiorizei foi
não olhar para trás cada vez que uma vaga nos fazia
subir uns valentes metros. Muito em breve deixei de ter esse problema
porque a noite caiu rapidamente e ficou escuro como breu. De repente
eu imaginava-me algures na ponta de São Jorge, não
longe do Pico e a umas 2 ou 3 horas de terra firme. O problema é
que se ainda se avistavam as luzes de São Jorge, não
se vislumbrava qualquer referência da Ilha Terceira e o "capitão"
começava a ter muitas conversas imperceptíveis via
rádio com a capitania da Terceira, enquanto dribalava as
vagas numa técnica quase artística. Umas eternas duas
horas depois continuava sem ver as luzes da Terceira praticamente
até entrar pela Baía de Angra adentro. Quando vimos
as luzes apercebemo-nos do forte nevoeiro, mas enfim, finalmente
tinha acabado a aventura e nós chegámos a terra firme.
15 minutos depois de chegar a Angra começou a cair a verdadeira
tempestade da "dita" frente e a trovoada durou a noite
toda... segundo me disseram no dia seguinte, pois dormi que nem
um anjinho num verdadeiro "descando do guerreiro".
veja
aqui fotos do Pico e do Faial...
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Chile, Dezembro 1997 - Sucesso ao minuto
Era dia 1 de Dezembro, feriado em Portugal da restauração
da independência, e estávamos em Punta Arenas no Chile,
a cidade mais importante no Estreito de Magalhães que ergue
uma estátua enorme ao famoso navegador português Fernão
Megalhães que ao serviço da coroa espanhola efectuou
a primeira circumnavegação do mundo.
Neste dia chuvoso nos confins do Chile austral tínhamos como
missão preparar todas as etapas do nosso regresso a Santiago,
à distância de 3100 kms... assim, tínhamos que
reservar os bilhetes para o cruzeiro de 4 dias pelos fiordes do
Chile, desde Puerto Natales a Puerto Montt, comprar o bilhete de
avião de Puerto Montt a Santiago e ainda o bilhete de autocarro
para chegar naquela noite a Puerto Natales que fica a 250 kms para
norte. Entretanto ainda aspirávamos a visitar naquele dia
uma reserva natural de pinguins a 1 hora de Punta Arenas que também
necessitava de uma compra antecipada de bilhete. Era demasiado stress
para um só dia mas o sucesso do roteiro dependia daquele
esforço.
O dia estava chuvoso e não dava para grandes passeios pela
cidade pelo que começámos por comprar o passeio à
reserva de pinguins que ficou marcado para as 16h00. Sabíamos
que o autocarro para Puerto Natales partia de Punta Arenas às
20h00 e passava na estrada principal, no entroncamento com a estrada
batida para os pinguins, perto das 20h30. Perguntámos ao
"guia dos pinguins" se era possível fazê-lo
e ele respondeu que sim. Durante o dia obtivémos o primeiro
sucesso ao comprar os bilhetes para o cruzeiro dos fiordes, ficando
com uma das poucas cabinas no convés superior só para
nós e com casa-de-banho. Entretanto dividimo-nos em dois
grupos. Eu, o João e o Carlos ficámos na residencial
com as mochilas à espera da carrinha "dos pinguins"
que nos ia buscar. Ficámos também de pedir ao guia
para passar no terminal e comprar os bilhetes de autocarro para
Puerto Natales e no caminho apanhar a Sónia e o Paulo que
tinham ido comprar os bilhetes de avião.
Depois das 16h00 chegou a carrinha para nos apanhar, mas já
com um casal de turistas franceses a bordo infelizmente... para
eles. Enfiámos todas as mochilas na carrinha e partimos para
o terminal onde comprámos os bilhetes de autocarro para Puerto
Natales. Os franceses não apreciaram propriamente o desvio.
Mesmo assim seguimos para apanhar os últimos dois passageiros
que estavam numa agência de viagens. A compra dos bilhetes
de avião estava demorada e os franceses começavam
a espumar. Depois de muitas pragas que nos devem ter rogado lá
arrancámos todos em direcção aos famosos pinguins,
mais de uma hora depois, com o segundo sucesso do dia nas mãos,
as passagens para Santiago, e a caminho do terceiro: a visita à
Reserva Pinguinera Otway.
Quando tudo ia já tranquilo em fase de descompressão,
a Sónia perguntou pela malinha dela ao João. Ele disse
que não sabia. Depois de procurar chegámos à
conclusão que a malinha com valores tinha ficado na residencial
em Punta Arenas. Falámos entre nós em pedir ao guia
para voltar para trás, mas pensámos um pouco no sofrimento
dos pobres franceses que por muito que não se goste deles,
eles provavelmente não tinham penado tanto desde a 2ª
guerra mundial. Falámos em telefonar para a pensão
quando chegássemos aos pinguins... só para rir obviamente,
como se os pinguins precisassem de telefones para ligar aos primos
da Antártida... pedimos então ao motorista para no
regresso ir à residencial verificar se a malinha lá
estava e enviá-la por correio para Puerto Natales. Ele acedeu.
Mais um período de despressurização e a bonita
visita aos simpáticos e fotogénicos pinguins numa
praia do Oceano Pacífico. A visita corria tão bem
que nos esquecemos das horas. E já passava um pouco das 20h00
quando nos metemos na carrinha à pressa, com franceses e
tudo para fazer aquele troço de terra batida até à
estrada principal. Ligámos o modo "stress", o motorista
meteu o pé no acelerador e qual rally de Portugal deve ter
batido o recorde de tempo naquele trajecto. Quando chegámos
perto do entroncamento vimos no horizonte a aproximação
do autocarro que ia para Puerto Natales e que era por sinal o último
do dia, para o qual tínhamos os bilhetes. Eram 20h30 e o
dia tinha sido um sucesso!!!... estávamos finalmente tranquilos
dentro do autocarro para o nosso destino onde chegámos perto
da meia-noite. No dia seguinte fomos buscar a maleta da Sónia
que efectivamente chegou por correio.
veja aqui
a viagem completa...
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