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 Índice das Histórias

» França 1986: Um assalto na Provence
» Bélgica 1988 : Os amigos flamengos e lusos
» Açores 1997: Uma aventura no Pico
» Chile 1997: Sucesso ao minuto


França, Julho 1986 - Um assalto na Provence

No fim de Julho de 1986, com 15 anos, eu ia iniciar a primeira aventura fora da interminável Península Ibérica. Estava absolutamente entusiasmado com o que eu considerava a primeira grande viagem, depois de algumas jornadas em Madrid, Corunha ou Salamanca. Estava no quarto dia de viagem com os meus pais e a minha irmã. Tinhamos dormido num parque de campismo em Sète, no sul de França um pouco antes de Montpellier e tinhamos mais uns dias até encontrar a minha madrinha e primos em Milão, conforme combinado.
Passámos na periferia de Montpellier e seguimos pela estrada principal em direcção a Aix-en-Provence. Na verdade, em 1986, no tempo em que ainda era necessário passaporte para entrar em alguns países europeus, tentávamos economizar nas portagens de auto-estrada e até preferíamos apreciar tranquilamente as belezas do campo. Ora, depois de passar Salon-en-Provence, o meu pai encostou o carro na berma para comprar fruta com a minha mãe num vendedor ambulante. Eu e a minha irmã ficámos no banco de atrás do digníssimo Fiat Uno. Um carro que parou atrás de nós, deixou que os meus pais atravessássem a estrada para, numa parelha de bandidos, um deles andou lentamente com o carro enquanto o outro caminhou ao lado do nosso carro e levou a mala branca que inocentemente a minha mãe deixou em cima do tablier, apesar da janela ter ficado aberta como todo o carro. O meu pai viu e nervosamente atravessou novamente a estrada entrando no carro com a minha mãe. Acelerou depois em perseguição daquele carro onde dois vilões levavam na mala branca todo o dinheiro que levávamos, os travel cheques, documentos e até o meu relógio com cronógrafo. O carro desvaneceu-se no alcatrão de Provence. O meu pai como pessimista que era, tornou aquele drama numa autêntica catástrofe. Ficámos sem nada e a viagem estava comprometida... iamos a Milão, à Suiça e daí para Paris. A minha primeira grande viagem estava em vias de ir pelo cano. Fomos a Aix-en-Provence à Gendarmerie (polícia) e o acto ficou registado, como mais era impossível fazer. Felizmente, como deve ser feito, tinhamos o comprovativo dos travel cheques noutro sítio e foi assim possível recuperar esse 90 contos (à altura) que eram na verdade mais de metade do que levávamos. Naquele altura não havia ATMs, levantamentos Visa ou qualquer outro sistema que hoje facilita qualquer viagem no lugar mais recôndito do mundo. Bom, o facto de termos recuperado esse dinheiro com o comprovativo (também era para isso que ele servia) permitiu acalentar alguma esperança de prosseguir a viagem. Mas ainda não tinhamos documentos. Seguimos então para Marselha, onde procurámos o Consulado Português. Lá, foram absolutamente fantásticos connosco, apesar de notoriamente não serem com outros portugueses emigrantes que eram atendidos com rudeza. Enfim, o Consulado emprestou-nos 50 contos e fez-nos novos passaportes apenas com os nossos dados de boca. Dormimos em Marselha. No dia seguinte, após alguma serenidade recuperada, os meus pais decidiram continuar a viagem e assim o sonho continuou. Seguimos para Cannes e no dia seguinte encontrámos a minha madrinha e primos no parque de campismo de Milão, depois de visitar o Mónaco e passar pela Riviera italiana. Fizemos a viagem como planeado pela Suiça e só não fomos a Paris. Nada mau para um rapaz de 15 anos em 1986. Mais tarde, já em Portugal, apareceu a mala branca com os documentos que foi enviada para casa da prima da minha mãe nos arredores de Paris.
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Bélgica, Setembro 1988 - Os amigos flamengos e lusos

Em Setembro de 1988 fazia a segunda grande viagem além-Pirinéus com os meus pais e a minha irmã. Iamos conhecer o Vale do Loire em França, Paris, Bélgica e Holanda. Foi uma viagem em que encontrámos algumas pessoas, como os nossos primos de Pont Saint Maxence, uma pequena localidade a norte de Paris. Ali montámos base para visitar Paris uns 3 ou 4 dias, onde todos os dias chegávamos à Gare du Nord. Mais à frente, seguimos em direcção à Bélgica pelo Pas-de-Calais. No Cap Gris Nez avistámos a costa de Inglaterra onde eu sonhava ir em breve. Entrámos na Bélgica pela costa e dormimos em Bruges. No dia seguinte visitámos aquela cidade e Gent, as duas são verdadeiras testemunhos da riqueza da Flandres em tempos idos. Fomos dormir a Bruxelas, num parque de campismo no bairro ocidental de Grimbergen. Decidimos ligar para os nossos amigos Mannaerts de Herentals. As filhas, Inge e Sanny eram amigas minhas e da minha irmã de longa data, dos Verões passados no parque de campismo de Setúbal. Tinhamos estado com eles 1 mês antes em Setúbal onde eles alugavam um bungalow. Gentilmente convidaram-nos logo para ficarmos em casa deles em Herentals, uma pequena cidade uns 30 kms a leste de Antuérpia. Depois de visitar Bruxelas, seguimos para Herentals por Leuven, a bonita cidade universitária onde os exemplos do gótico flamejante são magníficos. Chegados a Herentals, fomos muito bem recebidos em casa dos Mannaerts. Nessa noite fomos com a Inge e a Sanny à feira da cidade e depois à discoteca. No dia seguinte fomos com os Mannaerts a Antuérpia e encontámo-nos com os outros amigos de Setúbal que ali viviam, o Carlos da Cunha e os pais, emigrantes portugueses na Bélgica. Visitámos com eles a cidade portuária. À noite jantámos em casa da avó das nossas amigas, em Herentals. No dia seguinte visitámos Bokrijk, um enorme museu ao ar livre com casas rurais, moínhos, celeiros e representações da vida rural belga de séculos anteriores. Ali provámos diferentes cervejas belgas no bar daquele parque. A estadia em Herentals estava a ser muito interessante pelo convívio com locais e pelo conhecimento dos seus hábitos e cultura. Mas era preciso continuar a viagem e, no dia seguinte, seguimos para a Holanda. No regresso, ainda dormimos mais uma noite em casa dos Mannaerts.
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Açores, Agosto 1997 - Uma aventura no Pico

Em Agosto de 1997, estava eu pela primeira vez no belíssimo arquipélago dos Açores, mais propriamente na Ilha Terceira a passar férias com o meu amigo João. Estavam na Terceira também outros amigos com ligações aos Açores e juntamente com amigos açoreanos combinámos passar um fim-de-semana no Pico que teria como principal objectivo, a conquista do pico mais alto de Portugal, o Pico do Pico com 2351 metros.
Assim, partimos numa 5ª feira da Baía de Angra do Heroísmo numa lancha alugada no Clube Náutico com "capitão" para nos conduzir. A viagem foi lindíssima num belo dia de sol. Circundámos o Monte Brasil e a costa sul da ilha vislumbrando a igreja de S. Mateus com uma escolta de golfinhos a acompanhar-nos. Éramos uns 10 na lancha incluindo o marinheiro. O mar dos Açores não é mole e as raparigas (não é uma abstracta referência sexista, mas a dura realidade) que não tinham tomado comprimidos para o enjôo começaram a fazer fila na popa para alimentar os peixinhos. As que tinham tomado o forte comprimido estavam a dormir. Mais à frente deixámos o contorno da Terceira chegando bem perto da Ilha de São Jorge. Com o seu formato esguio e comprido, seguimos a sua costa até termos já a Ilha do Pico também do lado esquerdo. Esta última é grande e demorou um bocado circundá-la até ao destino final, o cais da vila da Madalena. Aqui chegámos 6 horas depois de partir de Angra e já pudemos avistar a Ilha do Faial do outro lado do Canal.
Depois de se nos juntarem mais uns amigos que chegaram de avião e arranjarmos a carrinha Ford Transit que nos ia transportar pela ilha, instalámo-nos numa casa alugada perto da Madalena.
No dia seguinte fomos explorar as estradas do Pico onde encontrámos um local paradisíaco de banhos. Ali ficámos algumas horas aproveitando as águas translúcidas e azuis envoltas por rochas e escarpas que tornavam o lugar apetecível. Mais tarde, tocámos a salsa na carrinha e fomos grelhar lapas... Depois do jantar fomos até à única discoteca da vila, de onde saímos antes das 4h. A maior parte seguiu para o santo descanso, mas 5 de nós ainda fomos procurar uma aventura nocturna. A noite estava estrelada e muito agradável, o Carlos tinha o barco ao largo de uma pequena enseada da Madalena. Fomos para o barco a nadar e seguimos noite fora em suave navegação pelo canal que separa o Pico do Faial. Mais tarde atracámos definitivamente na Marina da Horta onde descansámos um pouco na cabina. Quando o dia raiava, saímos novamente no barco em direcção ao Canal e vimos o sol nascer exactamente ao lado do imenso vulcão do Pico cuja dimensão é esmagadora visto do nível do mar. Voltámos a atracar na Horta e fomos tomar o pequeno-almoço ao famoso Peter's Cafe Sport acompanhando com um gin tónico como manda a tradição dos marinheiros.
Já a manhã ia a meio de um lindo dia de sol que prometia uma subida ao Pico arrebatadora e nós continuávamos a "brincar" ao ski e ao sku e ao sker-ke-seja e sobretudo a dar uns belos mergulhos no canal. O resto do pessoal estava fresquinho a comer umas belas lapas na Madalena e onde nós nos juntámos já de tarde. Já depois das 17h seguimos com a Ford Transit em direcção à base do Pico onde se inicia a subida a cerca de 1200 m de altitude.
Éramos uns 15 e já tinhamos começado tarde a subida ao cume, mais propriamente à cratera do vulcão onde iamos pernoitar. Aqui ia começar a verdadeira aventura que, depois de um belo dia de sol e mar, ia revelar-se um verdadeiro pesadelo para todos inesquecível.
A subida foi maravilhosa e, apesar de carregar mochilas durante 5 horas num considerável esforço físico, a sensação de liberdade e de grandeza conjugava-se com a magnífica paisagem que vista das alturas se tornava única. A visão do Faial assemelhava-se cada vez mais com os contornos de um mapa tal a sua pequenez. Em breve o sol punha-se e a noite caía. Ainda subimos durante uma hora na escuridão da noite ajudados pela parca luz de poucas lanternas. Chegados à cratera perto das 23h instalámo-nos no interior de um muro de pedra preparando-nos para uma noite de festa que se adivinhava, com chouriços assados nas assadeiras que trouxemos, com Angelica (licor do Pico), com Aguardente da Graciosa, enfim, a preparação gastronómica da expedição não tinha sido esquecida...
... no entanto, rapidamente passou da meia-noite e as primeiras chuvas começaram a cair. Sem abrigos e no escuro, todas as protecções à chuva foram improvisadas, os sacos-de-cama foram usados como tenda até se ensoparem completamente. A chuva foi aumentando de intensidade ininterruptamente e já todas as protecções possíveis estavam inutilizadas e em breve as roupas do corpo encharcadas. A diversão do cume do Pico tinha-se tornado um mau bocado e ninguém dormiu esperando que o dia seguinte nascesse para voltar a "terra firme". Durante a noite alguém entrou em desespero e disse que se ia embora sozinho, até tropeçar na primeira pedra e estatelar-se na lama, caindo na realidade. Entre as 6h e as 7h da manhã o dia clareou o suficiente para vermos que estava uma tempestade terrível e um nevoeiro que não permitia ver um palmo à frente do nariz. A possibilidade sequer de observar o Piquinho (o pequeno monte na cratera que é o verdadeiro cume e que atinge os 2351 m) estava fora de questão, quanto mais de o subir. Um grupo procurou a melhor saída da cratera para iniciar a descida, mas a primeira pessoa que pôs a cabeça de fora sentiu o empurrão dos ventos ciclónicos que viemos a saber mais tarde atingiam 100 km/h. Voltando para trás surgiram os primeiros sintomas de pânico no grupo, quando alguém sugeria que chamássemos a Força Aérea (apesar da inexistência de qualquer meio de comunicação) ou perguntava se "iamos morrer?". Estávamos encharcados depois de uma noite debaixo de chuva torrencial e uma pessoa entrou em hipotermia. Ninguém sabia o que fazer, quando no meio do nevoeiro encontrámos um guia de montanha que estava com outro grupo. No Verão a cratera do Pico junta muitos aventureiros que pernoitam e felizmente um dos grupos lembrou-se de levar um guia que tomou a iniciativa de reunir toda a gente que estava na cratera e iniciar a descida em conjunto. Ao subir a pequena encosta da cratera para o exterior, muita gente não suportou o incómodo das mochilas e algumas ficaram para trás, eu próprio deixei para trás o saco-de-cama que encharcado na sua robustez se tornou um peso psicologicamente excessivo.
Iniciando a descida do Pico, a expedição prosseguia muitas vezes de mãos dadas pelo nevoeiro, seguindo o guia à cabeça. A chuva vinha quase sempre de baixo empurrada pelo vento impiedoso e a fase final da expedição ao Pico lembrava, a quem ainda podia desviar o pensamento, as célebres expedições ao Evereste que frequentemente se vêem nos documentários da TV. De facto, as nossas sobrancelhas estavam brancas das gotículas da chuva congeladas, isto em pleno Agosto.
Com ligeiros precalços pelo meio, toda a gente conseguiu chegar à base sem problemas numa descida que durou 4 horas, e pode-se dizer que o fim da descida à chegada quase que parecia a chegada ao paraíso. O João, que tinha ficado no aconchego da Madalena (do Pico), recebeu-nos com café quente.
Fomos para casa tomar um fabuloso banho para tirar quilos de lama e fomos ainda dormir um pouco. Quando me sentia já tranquilo e depois de um breve repouso, alguém me acordou bruscamente anunciando a continuação da aventura, na sua vertente menos brilhante... era domingo, previa-se a chegada de uma frente e tinhamos que partir imediatamente para a Terceira evitando o risco de ficar presos 3 ou 4 dias no Pico quando algumas pessoas tinham que trabalhar na Terceira no dia seguinte. Assim apressámo-nos a preparar a trouxa e fazer sandes de queijo do Pico e queijo de São Jorge e embarcámos na lancha com o mesmo "capitão". Tinhamos 6 horas pela frente de navegação o que fazia prever quase metade da viagem à noite. A "dita" frente que se avizinhava não parecia querer esperar pela nossa chegada à Terceira e começou a dar ares da sua graça bem antes. As ondas que faziam o barco balancear cedo se tornaram vagas assustadoras e o melhor que eu interiorizei foi não olhar para trás cada vez que uma vaga nos fazia subir uns valentes metros. Muito em breve deixei de ter esse problema porque a noite caiu rapidamente e ficou escuro como breu. De repente eu imaginava-me algures na ponta de São Jorge, não longe do Pico e a umas 2 ou 3 horas de terra firme. O problema é que se ainda se avistavam as luzes de São Jorge, não se vislumbrava qualquer referência da Ilha Terceira e o "capitão" começava a ter muitas conversas imperceptíveis via rádio com a capitania da Terceira, enquanto dribalava as vagas numa técnica quase artística. Umas eternas duas horas depois continuava sem ver as luzes da Terceira praticamente até entrar pela Baía de Angra adentro. Quando vimos as luzes apercebemo-nos do forte nevoeiro, mas enfim, finalmente tinha acabado a aventura e nós chegámos a terra firme. 15 minutos depois de chegar a Angra começou a cair a verdadeira tempestade da "dita" frente e a trovoada durou a noite toda... segundo me disseram no dia seguinte, pois dormi que nem um anjinho num verdadeiro "descando do guerreiro".
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Chile, Dezembro 1997 - Sucesso ao minuto

Era dia 1 de Dezembro, feriado em Portugal da restauração da independência, e estávamos em Punta Arenas no Chile, a cidade mais importante no Estreito de Magalhães que ergue uma estátua enorme ao famoso navegador português Fernão Megalhães que ao serviço da coroa espanhola efectuou a primeira circumnavegação do mundo.
Neste dia chuvoso nos confins do Chile austral tínhamos como missão preparar todas as etapas do nosso regresso a Santiago, à distância de 3100 kms... assim, tínhamos que reservar os bilhetes para o cruzeiro de 4 dias pelos fiordes do Chile, desde Puerto Natales a Puerto Montt, comprar o bilhete de avião de Puerto Montt a Santiago e ainda o bilhete de autocarro para chegar naquela noite a Puerto Natales que fica a 250 kms para norte. Entretanto ainda aspirávamos a visitar naquele dia uma reserva natural de pinguins a 1 hora de Punta Arenas que também necessitava de uma compra antecipada de bilhete. Era demasiado stress para um só dia mas o sucesso do roteiro dependia daquele esforço.
O dia estava chuvoso e não dava para grandes passeios pela cidade pelo que começámos por comprar o passeio à reserva de pinguins que ficou marcado para as 16h00. Sabíamos que o autocarro para Puerto Natales partia de Punta Arenas às 20h00 e passava na estrada principal, no entroncamento com a estrada batida para os pinguins, perto das 20h30. Perguntámos ao "guia dos pinguins" se era possível fazê-lo e ele respondeu que sim. Durante o dia obtivémos o primeiro sucesso ao comprar os bilhetes para o cruzeiro dos fiordes, ficando com uma das poucas cabinas no convés superior só para nós e com casa-de-banho. Entretanto dividimo-nos em dois grupos. Eu, o João e o Carlos ficámos na residencial com as mochilas à espera da carrinha "dos pinguins" que nos ia buscar. Ficámos também de pedir ao guia para passar no terminal e comprar os bilhetes de autocarro para Puerto Natales e no caminho apanhar a Sónia e o Paulo que tinham ido comprar os bilhetes de avião.
Depois das 16h00 chegou a carrinha para nos apanhar, mas já com um casal de turistas franceses a bordo infelizmente... para eles. Enfiámos todas as mochilas na carrinha e partimos para o terminal onde comprámos os bilhetes de autocarro para Puerto Natales. Os franceses não apreciaram propriamente o desvio. Mesmo assim seguimos para apanhar os últimos dois passageiros que estavam numa agência de viagens. A compra dos bilhetes de avião estava demorada e os franceses começavam a espumar. Depois de muitas pragas que nos devem ter rogado lá arrancámos todos em direcção aos famosos pinguins, mais de uma hora depois, com o segundo sucesso do dia nas mãos, as passagens para Santiago, e a caminho do terceiro: a visita à Reserva Pinguinera Otway.
Quando tudo ia já tranquilo em fase de descompressão, a Sónia perguntou pela malinha dela ao João. Ele disse que não sabia. Depois de procurar chegámos à conclusão que a malinha com valores tinha ficado na residencial em Punta Arenas. Falámos entre nós em pedir ao guia para voltar para trás, mas pensámos um pouco no sofrimento dos pobres franceses que por muito que não se goste deles, eles provavelmente não tinham penado tanto desde a 2ª guerra mundial. Falámos em telefonar para a pensão quando chegássemos aos pinguins... só para rir obviamente, como se os pinguins precisassem de telefones para ligar aos primos da Antártida... pedimos então ao motorista para no regresso ir à residencial verificar se a malinha lá estava e enviá-la por correio para Puerto Natales. Ele acedeu. Mais um período de despressurização e a bonita visita aos simpáticos e fotogénicos pinguins numa praia do Oceano Pacífico. A visita corria tão bem que nos esquecemos das horas. E já passava um pouco das 20h00 quando nos metemos na carrinha à pressa, com franceses e tudo para fazer aquele troço de terra batida até à estrada principal. Ligámos o modo "stress", o motorista meteu o pé no acelerador e qual rally de Portugal deve ter batido o recorde de tempo naquele trajecto. Quando chegámos perto do entroncamento vimos no horizonte a aproximação do autocarro que ia para Puerto Natales e que era por sinal o último do dia, para o qual tínhamos os bilhetes. Eram 20h30 e o dia tinha sido um sucesso!!!... estávamos finalmente tranquilos dentro do autocarro para o nosso destino onde chegámos perto da meia-noite. No dia seguinte fomos buscar a maleta da Sónia que efectivamente chegou por correio.
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